
A inteligência artificial deixou de ser apenas tema de ficção científica apocalíptica para ganhar espaço em narrativas que exploram seus usos contemporâneos. Filmes e séries recentes já abordam a realidade dos modelos generativos, como chatbots e assistentes de IA, refletindo sobre questões éticas, uso criativo e relação entre humanos e máquinas.
O fenômeno indica como a rápida ascensão de ferramentas como ChatGPT capturou a atenção de criadores de conteúdo. Diretores e roteiristas aproveitam a urgência do tema para expor reflexões sobre tecnologia na arte e nas atividades cotidianas.
Séries que refletem o uso corriqueiro de IA
Produções de comédia abraçaram o tema com tom crítico. Em Abbott Elementary, uma série sobre professores em uma escola na Filadélfia, o segundo episódio da terceira temporada traz um dilema quando personagens descobrem que estão usando um serviço de IA para tarefas rotineiras como responder e-mails.
Os Simpsons também se dedicou ao tema. No segundo capítulo da 37ª temporada, intitulado Um Novo Rumo, aparece um chatbot chamado CheatGPT —um trocadilho que combina ChatGPT com a palavra “trapaça” em inglês—, usado por alunos para obter notas mais altas. O questionamento surge quando Lisa desconfia de uma avaliação particularmente boa do irmão Bart.
South Park foi além ao abordar diretamente o ChatGPT no episódio Deep Learning, da 26ª temporada. O assistente da OpenAI foi creditado como um dos roteiristas do episódio, uma decisão que satiriza tanto o tema quanto a própria ferramenta.
Dilemas éticos em pauta
Séries mais dramáticas aproveitam a plataforma para questões mais profundas. Hacks, comédia que encerrou este ano, dedicou um episódio de sua quinta temporada ao tema. No capítulo QuikScribbl, um executivo deseja criar um clone de IA da comediante Deborah Vance, disparando reflexões sobre uso ético da tecnologia e preservação da criatividade humana.
Black Mirror, série conhecida por cenários distópicos tecnológicos, continua sua tradição ao abordar IA generativa. O episódio Hotel Reverie, da sétima temporada, apresenta a recriação de uma estrela de cinema através de IA, um cenário cada vez mais relevante conforme cresce o debate sobre uso de imagem e voz de celebridades em situações pós-morte.
Predições do cinema sobre IA
Filmes clássicos e recentes completam o quadro. Ela, lançado em 2013, ofereceu uma predição perspicaz sobre assistentes de IA. O personagem de Joaquin Phoenix desenvolve uma relação emocional com uma ferramenta de IA que atende a todos os seus desejos, explorando como uma máquina pode criar vínculos profundos com usuários. A relevância do filme foi reforçada quando a própria OpenAI tentou contratar Scarlett Johansson, dubladora da IA do filme, para a função de voz do ChatGPT.
2001: Uma Odisseia no Espaço, clássico de 1968, continua relevante. O assistente HAL 9000, integrado à nave Discovery para tomar decisões autônomas, provou envelhecer bem conforme inteligências artificiais se tornam mais presentes em serviços diversos.
A Garota Artificial, filme de 2023, aborda um ângulo diferente ao retratar a criação de um personagem de IA para capturar predadores sexuais. A narrativa explora tanto aplicações potencialmente benéficas quanto a linha tênue que separa relações entre humanos e máquinas.
Reflexo da realidade contemporânea
Essas produções revelam como a indústria criativa responde à transformação tecnológica em tempo real. Ao incorporar chatbots, modelos generativos e assistentes de IA em seus roteiros, séries e filmes não apenas retratam o presente, mas questionam as implicações futuras dessas ferramentas.
Fonte: Canaltech – 8 filmes e séries que já abordaram IA generativa como a conhecemos hoje




