
O Google está preparando uma grande reorganização na interface do Gemini para Android com o objetivo de consolidar configurações atualmente espalhadas por diferentes menus. A mudança foi identificada na versão 17.60.13.sa.arm64 do aplicativo durante uma análise de código realizada pelo Android Authority, mas ainda não possui data de lançamento confirmada.
Estrutura das novas configurações
O projeto concentra as opções em uma área dedicada chamada “Configurações”, dividida em três categorias principais. Essa consolidação resolve um problema atual em que parte das configurações do Gemini fica escondida no alternador de contas, dificultando o acesso de usuários a ajustes importantes.
A estrutura proposta organiza os controles da seguinte forma:
- Preferências: limites de uso, inteligência personalizada, ações agendadas, mídia e Gemini Notebook
- Dados e privacidade: importação de memória, acesso a informações de contato dos dispositivos, consulta de atividade nos apps Gemini, gerenciamento de links públicos e alternância entre Gemini ou Google Assistente
- Obter suporte: acesso a recursos de ajuda e documentação
Novas páginas específicas para voz e controles do dispositivo
A reformulação inclui seções dedicadas a funcionalidades de voz e interação sem contato com a tela. Uma página específica para “Voz” agrupará opções para escolher a voz do Gemini, interromper respostas durante conversas ao vivo, ajustar preferências de legendas e definir idiomas. Essa centralização facilita a personalização da experiência sonora do assistente.
Já a área de “Controles do dispositivo” reunirá recursos para usar o Gemini sem as mãos, acessar o assistente na tela de bloqueio, configurar frases rápidas, usar o contexto da tela, exibir o Gemini na barra de status e ativar a visão guiada no Live, que oferece áudio descritivo durante o uso da câmera. Essa concentração reflete a estratégia do Google de expandir as capacidades multimodais do assistente.
Execução remota de tarefas ainda em sigilo
Uma das descobertas mais intrigantes é a seção “Tasks on Android” (Tarefas no Android), que contém a opção “Permitir execução remota”. O significado exato desta funcionalidade permanece obscuro. O nome sugere que o Gemini poderá executar determinadas tarefas no Android a partir de outro dispositivo, o que representaria um avanço significativo em automação e controle remoto. Contudo, a relação com Gemini Spark ou Gemini Intelligence ainda não foi confirmada pelo Google.
Se confirmada, essa capacidade poderia posicionar o Gemini como um agente de automação mais poderoso, permitindo que usuários gerenciem seus dispositivos Android de forma centralizada através de diferentes plataformas.
Quando chegam as mudanças
O Google ainda não divulgou uma previsão para o lançamento da nova interface. As funcionalidades foram encontradas durante uma análise de código conhecida como APK teardown, um processo que permite identificar recursos em desenvolvimento através da inspeção do código-fonte do aplicativo.
Esse tipo de descoberta, porém, não garante que os recursos chegarão ao público. O Google frequentemente altera, remove ou adia funcionalidades antes da distribuição oficial. Atualmente, o Gemini continua com a interface existente para todos os usuários, enquanto as novas telas permanecem escondidas no código durante o desenvolvimento.
Análise Panorama IA
A reorganização das configurações do Gemini reflete um padrão reconhecido entre grandes plataformas de IA: quanto mais complexo um assistente se torna, mais urgente é a necessidade de interfaces intuitivas. O problema atual do Gemini—com opções dispersas e de difícil acesso—prejudica usuários que buscam personalizar o comportamento do assistente ou ajustar configurações de privacidade.
A consolidação proposta importa porque privacidade e controle são fatores críticos na adoção de assistentes de IA. Usuários que desejam gerenciar memória, controle de dados ou integração de dispositivos precisam encontrar essas opções sem frustração. A nova estrutura, se implementada, também sinalizaria maturidade do Google em reconhecer que ferramentas poderosas exigem interfaces bem-organizadas.
O recurso de execução remota de tarefas merece observação continuada. Se conectado ao Gemini Spark ou a agentes de inteligência automática, poderia marcar uma transição importante: de assistentes conversacionais para agentes capazes de atuar autonomamente em múltiplos dispositivos. Isso também levanta questões de segurança e permissões que o Google precisará esclarecer antes do lançamento.
Por enquanto, a matéria permanece em desenvolvimento e sujeita a mudanças. Usuários interessados devem acompanhar atualizações oficiais do Google, já que o código descoberto não confirma prazos nem garante implementação integral.
Fonte: Canaltech






